
No caso de contratar um pistoleiro para me matar / às sextas, consegue me apagar no Boteco / Mas de preferência faça o serviço já depois da meia noite e de meio litro de uísque / mas nunca no final da garrafa / quando a amnésia alcoólica já se instaurou / quero morrer de copo cheio / nem tão lúcido, nem tão bêbado / na medida exata em que o malte já me deixou dionisíaco / quero morrer vivo / quero morrer no Boteco / pois lá sou quase rei / tenho sempre o garçom ao alcance de manter meu copo repleto / lá é sempre outra coisa / quando fico animado, pulo, danço e não há ninguém que me faça parar o passo / lá eu afogo todas as mágoas secando a garrafa / e quando chega no final da noite / quando consigo me lembrar / eu tou pra lá de feliz / fico feito menino levado e traquino / só não subo em árvore / porque só tem pé de gente / mas mesmo assim, pulo, danço e não paro o passo! (post escrito diretamente do Boteco)
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